O evento ocorrido em São Paulo nesta
terça-feira para apresentação da nova bola que será utilizada na décima
edição do NBB ficou marcado pelo comparecimento de grandes nomes do
basquete brasileiro. Além de atletas das equipes mais fortes do nível
brasileiro, o evento contou com a presença de alguns dirigentes
importantes do esporte no Brasil.
Em entrevistas exclusivas à Gazeta Esportiva, estes nomes importantes do basquete nacional comentaram sobre a péssima campanha
da Seleção Brasileira na disputa da Copa América de Basquete, disputada
na Colômbia, onde a equipe foi eliminada na primeira fase e graças, ao
resultado ruim, ficará de fora da disputa dos Jogos Pan-Americanos de
2019, que ocorrerão em Lima, no Peru.
Representando os lados dos atletas, o
experiente Guilherme Giovannoni, que atualmente representa as cores do
Vasco da Gama, lembrou do pouco tempo de trabalho do treinador interino,
César Guidetti, com o jovem grupo utilizado no torneio.
“Temos que entender a situação. Não
concordo com todas as críticas. Tivemos uma equipe nova, um técnico novo
também. Eles tiveram apenas 10 dias de trabalho, isto é muito pouco
tempo para se entrosar. Já era sabido que a equipe levada era para se
acumular uma experiência nesse time de torneio. Temos que entender a
situação e o momento antes de apenas criticar”, opinou.
Com mais de 122 partidas com a seleção, o
ala-pivô de 37 anos considera muito difícil o seu retorno a equipe
brasileira após anunciar a sua aposentadoria da mesma em março.
“Disposto a conversar sempre estamos. Mas acho que é muito complicado.
Não tenho mais 20 anos e tem uma geração boa vindo ai. Temos que dar
espaço e torcer pelo melhor. Acho muito difícil de ocorrer o meu
retorno”, confirmou.
Guilherme Filipin, ala do Mogi das Cruzes,
também eximiu a culpa aos atletas jovens que representaram o Brasil na
Copa América. “Temos que ter paciência. Lógico que foi um resultado
muito ruim, impactante. Mas era um time novo, passando por uma
reformulação, uma nova estrutura. Cabe a nós jogadores, aos diretores de
clubes, gestores de ligas e federações apoiar este movimento. Estou
confiante que este processo de longo prazo trará resultados. Será um
processo desgastante, mas acredito que teremos bons frutos no futuro”,
avaliou.
Representando o lado dos dirigentes do
basquete nacional, ex-treinador e agora gestor técnico e administrativo
do Franca, Lula Ferreira, afirmou que o processo de reformulação será
árduo, e exigirá empenho de todos os ligados ao esporte.
“Está tendo um grande esforço por todos
que se dedicam à seleção. Claro que o resultado esportivo realmente não
foi bom, mas quando você faz um trabalho mais improvisado, numa
circunstância complicada, como ocorreu nesta Copa América, você não pode
esperar um resultado esportivo muito bom. É claro, que iremos sofrer um
pouco por um período. Porém temos que entender esta nova realidade e
mais do que isso, temos todos que trabalhar em busca da resolução do
problema. O problema não pode ser jogado apenas nos dirigentes, ou quem
representa a entidade e os clubes. Por que isto pertence a todo mundo da
comunidade. Não ajuda nada ficar apenas jogando pedra. É bom todo mundo
arregaçar as mangas, fazer o seu trabalho que sairá um resultado melhor
na Seleção Brasileira”, afirmou.
Presidente da Liga Nacional de
Basquete, João Fernando Rossi, considera que o péssimo resultado da
Seleção não trará grandes impactos aos números da NBB. “Os resultados da
Seleção Brasileira, ele já possui uma diferenciação clara ao torcedor
em relação ao que acontece na Liga. Já existe um torcedor do clube, que
não deixará de acompanhar o NBB por causa dos resultados ruins da
Seleção. Acho que está sendo feito um trabalho de reformulação, que
trará um futuro bom. Mas enquanto isso, fazemos paralelamente nosso
trabalho na Liga”, avaliou.
No entanto, na visão do diretor da equipe de Mogi, Akcel de Godoy, os
resultados terão um forte impacto no desenvolvimento do basquete
brasileiro. “Como amante do basquete brasileiro, diretor na área,
obviamente que esperava muito mais da Seleção. Era esperado ao menos uma
classificação ao Pan Americano. Sei que a equipe passa por um processo
de reformulação e renovação, mas não podemos se dar ao luxo de não
contar com nossos atletas mais experientes. Entendo que devemos fazer
essa reformulação, mas ela deve ser gradativa e não algo brusco e
forçado.Teremos um reflexo grande que deve impactar. Isto são resultados
muito ruins e com certeza terão reflexos no processo de desenvolvimento
do basquete em nível brasileiro”, declarou o dirigente.
Fonte:Gazeta Esportiva






