Rafaela Silva tem de lidar com as
consequências de se tornar uma heroína olímpica. Responsável pela
primeira medalha de ouro do Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de
Janeiro, dando a volta por cima depois de cair na estreia em Londres
2012 por conta de um golpe irregular, a judoca criada na Cidade de Deus
ainda vem tentando encontrar uma forma de conciliar a fama e os
holofotes com a sua rotina de treinos, tarefa nada fácil, como ela mesmo
relatou à Gazeta Esportiva. Em visita à ADC Esportes,
projeto social do Bradesco para o desenvolvimento de jovens atletas do
vôlei e do basquete, a campeã olímpica expôs a nova realidade e projetou
os próximos passos já pensando em Tóquio 2020.
“Toda hora tem alguma coisa. Já perdi
treino ontem, estou perdendo treino hoje, tenho mais dois dias para
concluir a semana. Vou treinar três vezes e isso para um atleta de alto
rendimento é bem complicado. Sabemos que temos que cumprir compromissos,
então está sendo bem difícil. Meu objetivo agora é cortar um pouco essa
parte para poder retomar, porque fui campeã olímpica em 2016, se eu não
me classifico para Tóquio 2020, já começam a falar, criticar. Para eu
manter o foco nas competições, tenho que dar uma reduzida nesses
eventos”, disse Rafaela Silva.
Esse desvio de foco para atender às
necessidades de todos os parceiros refletiu no desempenho de Rafaela
Silva no Mundial de Budapeste, na Hungria, disputado entre o fim de
agosto e início de setembro deste ano. Na ocasião, a campeã olímpica na
categoria até 57kg acabou decepcionando ao ser eliminada logo na estreia da competição pela portuguesa Telma Monteiro,
medalha de bronze nas Olimpíadas do ano passado, que aplicou um
waza-ari para avançar. Sobre o resultado, a judoca carioca garantiu que
não foi uma grande decepção.
“Para o que treinei visando o Mundial,
[meu resultado] era o esperado. Eu não estava 100% para fazer uma boa
competição devido a entrevistas, patrocinadores. Hoje eu não consigo
concluir uma semana de treinamento completa. Está sendo bem difícil
retomar minha rotina e isso pode até me atrapalhar na classificação para
Tóquio 2020”, comentou.
Ciente de que será preciso compensar o
resultado ruim em Budapeste nas próximas principais competições deste
novo ciclo olímpico, Rafaela Silva afirmou que já está trabalhando para
evitar novos reveses, mas expôs a dificuldade nos treinamentos para se
tornar menos previsível.
“Estou tentando mudar um pouco a
estratégia de luta, tentando treinar alguns golpes novos para
surpreender as minhas adversárias. Sou a atual campeã olímpica, logo uma
das atletas mais estudadas da categoria. Todo mundo já sabe o que a
Rafaela vai fazer, então tem que ter esse elemento surpresa. Um golpe
novo você não aprende do dia para a noite, leva um pouco de tempo.
Espero estar bem, podendo surpreender as minhas adversárias nas próximas
competições e, quem sabe, nos Jogos Olímpicos”, prosseguiu.
Embora a fama tenha virado a rotina de
Rafaela Silva de cabeça para baixo, a atleta sabe da importância do
reconhecimento por parte do público após a conquista mais importante da
sua carreira. Ela até mesmo relembrou um dos inúmeros episódios em que
tem de deixar de lado a timidez para encarar os fãs.
“Fui a Belo Horizonte para o casamento da
Mari, da Seleção, e quando chegamos no restaurante ela falou ‘nossa,
quando você entra, todo mundo faz uma cara’. Já estou acostumada, parece
que eu sou um bicho-papão, mas é legal esse reconhecimento. As pessoas
querem tirar foto, abraçar, passar um gesto de carinho”, concluiu.
Fonte:Gazeta Esportiva






