![]() |
| Torcida viveu momentos de melancolia e êxtase no triunfo deste domingo (Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press) |
O Palmeiras voltou a vencer no Campeonato
Brasileiro, manteve a freguesia do São Paulo no Palestra Itália e
triunfou sobre um rival regional pela primeira vez neste Brasileirão.
Após sair atrás no placar com Marcos Guilherme, Willian anotou dois gols
e virou o jogo, mas Hernanes igualou novamente o marcador no primeiro
tempo. Na etapa final, Keno colocou o Alviverde na frente novamente e
Hyoran definiu a emocionante vitória por 4 a 2, com direito a “parabéns”
um dia após os 103 anos do Verdão.
Modificado, o campeão brasileiro abandonou
o 4-3-3 e entrou em campo no 4-2-2-2. Com a torcida ressabiada e pouco
participativa, o Palmeiras jogava bem e tinha Tchê Tchê, retomando o bom
desempenho, e Willian, se movimentando entre as linhas adversárias,
como principais destaques. As arquibancadas viam um time que lutava pelo
G4.
O Tricolor, armado no 4-1-4-1, sofria com
as investidas alviverdes pelo lado direito, em que Cueva deveria ajudar
Edimar na marcação, problema corrigido apenas depois por Dorival Junior,
que inverteu o lado do peruano. Com quase 65% de posse de bola, o
Verdão dominava o rival e só poderia sofrer um gol em falha individual.
Pois foi justamente o que ocorreu.
Bruno Henrique perdeu disputa com Cueva
pelo alto, Luan ameaçou sair para abafar o passe de Lucas Pratto, mas
manteve posição e levou uma bola nas costas, que acabou com Marcos
Guilherme mandando para as redes. O silêncio tomou conta do Palestra
Itália e apenas xingamentos eram ouvidos.
Esperando ver a equipe que havia marcado
12 gols e sofrido apenas um contra o São Paulo em sua Arena, a única
lembrança de clássicos anteriores ocorreu quando Sidão cobrou tiro de
meta errado nos pés de Willian, e a massa imediatamente gritou: “De
cobertura!” Mas o palmeirense mandou para fora, ao lado da meta.
Foram necessários dois sustos para o estádio voltar a vibrar. Primeiro, Lucas Pratto levou joelhada de Hernanes, caiu desacordado em campo e foi retirado de ambulância,
com aplauso dos palmeirenses. Depois, em nova falha defensiva do
Palmeiras, Marcos Guilherme fez jogada individual e acertou o travessão.
Após seis minutos de paralisação para
atendimento do argentino, Willian, o mais lúcido em campo, despertou
novamente a torcida alviverde. Primeiro, dominou cruzamento de Michel
Bastos, que Edimar não conseguiu cortar, e bateu cruzado para empatar.
Três minutos depois, avançou pela esquerda, aplicou uma caneta em
Jucilei e mandou no ângulo de Sidão para fazer o segundo. A torcida via
novamente via o campeão brasileiro em campo.
No duelo dos Profetas entre Moisés e
Hernanes, o palmeirense estava sumido, e o são paulino, candidato óbvio a
brilhar, marcou seu quarto gol consecutivo em partidas fora de casa. Em
falha de Jean, o camisa 10 tricolor dominou no peito o cruzamento de
Buffarini e bateu no cantinho de Prass.
Na etapa final, os visitantes mantiveram a
postura de contra-ataque, mas não conseguiram ter sucesso. Já os
mandantes abdicaram dos quatro homens no meio-campo e retomaram o 4-3-3,
com a entrada de Keno na vaga de Bruno Henrique. A alteração mostrou
resultado, e o atacante anotou um golaço para virar o marcador. Por fim,
Hyoran ainda definiu a goleada alviverde. E foi assim que o Palestra
Itália reviveu 2016, com uma vitória marcante sobre um rival, e a festa
restabelecida nas arquibancadas.
O JOGO
Apoiado no discurso de que ainda está em
busca da formação ideal para o Palmeiras, Cuca resolveu inovar no
clássico e mandou o time a campo no 4-4-2, com Bruno Henrique e Tchê
Tchê dando suporte à zaga e Willian com mais liberdade para encostar em
Deyverson. Pelo lado tricolor, nenhuma novidade. Dorival voltou a
apostar no 4-1-4-1 e com uma postura de cadência e disciplina tática.
Mas, não precisaram muitos minutos para o
Verdão perder uma deficiência grave dos rivais. Cueva, aberto pela
esquerda, não dava o suporte necessário a Edimar. O Palmeiras, então,
investiu por ali e colocou o São Paulo em apuros pelo menos três vezes.
E quando a torcida da casa começa a se
animar de verdade, veio a surpresa. Bruno Henrique, de 1,80m, perdeu no
alto para Cueva, que mede 1,69m. Lucas Pratto recebeu e colocou Marcos
Guilherme na cara de Fernando Prass. O meia tricolor deixou Michel
Bastos para trás e abriu o placar.
O gol dos visitantes abalou o Palestra,
que silenciou por alguns minutos e só voltou a ser ouvindo diante das
reclamações com os erros de passe da equipe alviverde. A essa altura,
Cueva e Marcos Guilherme já haviam trocado de lado para acabar com a
farra palmeirense em cima de Edimar.
Tudo corria bem até os 21 minutos, quando
Lucas Pratto deu um susto daqueles em todos que acompanhavam o clássico.
Em um lance rotineiro, o argentino apareceu na defesa para ajudar na
marcação, mas acabou levando uma joelhada do companheiro Hernanes. O
argentino ficou desacordado e, desesperados, os jogadores suplicaram
pela ambulância. Em cerca de seis minutos, Pratto já estava a caminho do
hospital, consciente, para uma tranquilidade maior de todos.
Quem imaginou que a paralisação pudesse esfriar o jogo em campo se enganou. Assim que a bola voltou a rolar, o São Paulo teve uma grande oportunidade de ampliar a vantagem de novo com Marcos Guilherme, que acertou o travessão e viu a bola quicar fora do gol.
Quem imaginou que a paralisação pudesse esfriar o jogo em campo se enganou. Assim que a bola voltou a rolar, o São Paulo teve uma grande oportunidade de ampliar a vantagem de novo com Marcos Guilherme, que acertou o travessão e viu a bola quicar fora do gol.
O Palmeiras parecia abatido e
desencontrado quando Michel Bastos, aos 35, cruzou para a área. Edimar
falhou e Willian não perdoou. Bastou para o Verdão acordar. Três minutos
depois, em nova jogada de Willian, dessa vez toda ela individual, o
Palmeiras virou em grande estilo. O atacante palmeirense acertou o
ângulo e Sidão e finalização de fora da área.
O Choque-Rei estava imprevisível. Nos
acréscimos da primeira etapa, dessa vez era o Palmeiras que parecia
senhor do jogo quando o rival foi lá e aprontou. Buffarini alçou bola na
área, Jean fez a vez de Edimar e falhou. Hernanes dominou e estufou as
redes, levando o clássico para o intervalo com o 2 a 2 no placar.
Com um segundo tempo, truncado, de poucas
oportunidades, Dorival resolveu sacar Cueva para colocar o jovem Lucas
Fernandes. Cuca respondeu com Keno na vaga de Bruno Henrique e mandou o
Palmeiras para frente, agora no 4-3-3.
O panorama, no entanto, pouco mudou. O
excesso de erros de passe minava as chances das duas equipes. Sidão
ainda assustou os são-paulino ao furar bisonhamente uma bola recuada,
mas se redimiu ao evitar o gol de Deyverson com uma defesa espetacular.
Na melhor chance do São Paulo em toda a
etapa final, Rodrigo Caio acabou sendo o vilão. O zagueiro ficou livre,
dentro da pequena área e também furou de forma incrível. De joelhos,
desacreditado, o defensor chegou a olhar para o bandeira, que deu
condição legal no lance.
Cuca ainda colocou Hyoran no lugar de
Guerra, mas o clássico perdeu parte de sua organização. Palmeiras e São
Paulo passaram a se contra-atacar seguidamente e o jogo ficou
imprevisível.
Nesse ritmo, o São Paulo pagou caro por um
erro de escolha de Marcos Guilherme, que carregou a bola com duas
opções de passe contra apenas dois defensores palmeirenses. O meia
acabou nem finalizando nem tocando a bola. Em resposta, o Verdão acionou
Deyverson na esquerda. O centroavante viu Keno livre na meia-lua,
serviu. Sem dominar, o ex-jogador do Santa Cruz bateu firme, sem chance
para Sidão.
Pronto para colocar Roger Guedes em campo,
Cuca imediatamente mudou sua alteração. Thiago Santos entrou no lugar
de Deyverson. Dorival apostou em Denilson na vaga de Marcos Guilherme.
O fim do Choque-Rei foi dramático, com
todos no estádio em pé. O alívio para a torcida local só veio nos
acréscimos, quando Tchê Tchê lançou Willian nas costas da zaga tricolor.
O atacante só teve o trabalho de cruzar para Hyoran, que livre, mandou
para o fundo do gol e transformou a vitória em goleada.
Depois de três rodadas, o Palmeiras voltou
a vencer e, de quebra, ainda manteve o tabu de não perder para o rival
do Morumbi no Allianz Parque. Já o Tricolor terá de amargar mais uma
rodada na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.
FICHA TÉCNICA
PALMEIRAS 4 X 2 SÃO PAULO
Local: Estádio Palestra Itália, em São Paulo (SP)
Data: 27 de agosto de 2017, domingo
Horário: 16 horas (de Brasília)
Árbitro: Sandro Meira Ricci (SC-Fifa)
Assistentes: Emerson Augusto de Carvalho e Marcelo Van Gasse (ambos de SP-Fifa)
Público: 33.537 torcedores
Renda: R$ 2.195.368,53
Cartões amarelos: SÃO PAULO: Edimar, Arboleda
GOLS:
PALMEIRAS: Willian, aos 35 e 38 minutos do 1T. Keno, aos 33, e Hyoran, aos 45 minutos do 2T.
SÃO PAULO: Marcos Guilherme, aos 12, e Hernanes, aos 51 minutos do 1T.
PALMEIRAS: Fernando
Prass; Jean, Edu Dracena, Luan e Michel Bastos; Tchê Tchê, Bruno
Henrique (Keno), Moisés e Guerra (Hyoran); Willian e Deyverson (Thiago
Santos)
Técnico: Cuca
SÃO PAULO: Sidão;
Buffarini, Arboleda, Rodrigo Caio e Edimar; Petros; Marcos Guilherme
(Denilson), Jucilei, Hernanes e Cueva (Lucas Fernandes); Lucas Pratto
(Gilberto)
Técnico: Dorival Júnior
Fonte:Gazeta Esportiva






